quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Produtos do Tesouro Nacional - Parte 1

 
Atendendo a dúvidas de muitas pessoas que me procuraram, conforme prometi vou postar aqui os detalhes importantes de cada um dos produtos do Tesouro Nacional, por partes. Minha intenção é deixar uma forma fácil de entender e encorajarem os novos investidores a entrarem nesse mercado, sem o grande medo de “perder dinheiro”. Isso não funciona aqui.

 Primeiro, pra quem não sabe, esses títulos compreendem a dívida pública ou seja, o governo emite os títulos para captação de recursos financeiros e realização da política monetária. Essa é uma das importantes ferramentas que o governo utiliza para ampliar ou reduzir a quantidade de moedas em circulação na economia.
 
Outro ponto importante é que tomei cuidado para não utilizar informações muito técnicas ou complexas uma vez que a linguagem técnica torna o entendimento mais complicado de algo que acredito que possa ser simplificada.

Bom, vamos começar com as Letras do Tesouro:


1)      Letras Financeiras do Tesouro Nacional ( LFT ) - Este produto é pós-fixado. Sua remuneração é atrelada à taxa SELIC (básica de juros). Seu valor de emissão (nominal) é múltiplo de R$ 1.000,00. Mas é simples, o investidor compra o título e no vencimento, resgata o valor investido + a rentabilidade do percentual da taxa SELIC no vencimento. Isso mesmo, simples assim.



  

RISCO DA OPERAÇÃO: Se a taxa de juros SELIC é reduzida pelo COPOM, o investidor obviamente vai ganhar menos e vice-versa.



2)      Letras do Tesouro Nacional ( LTN ) – Este produto é pré-fixado e ainda mais fácil de compreender. Seus valores de emissão são menores do que R$ 1.000,00 sempre pois este é  valor que ele paga no vencimento (principal). Ou seja, o investidor sabe, no ato da compra que no vencimento, ele vai receber R$ 1.000,00 por título. Gosto de pensar que a metodologia para essa aplicação é inversa. Pois o investidor define o ganho no ato do valor pago pelo título. Quanto maior o prazo de vencimento do título, maior o ganho.

Portanto, cada LTN só pode ser comprada por menos do que R$ 1.000,00 pois este é o valor que será pago por cada um deste título.




RISCO DA OPERAÇÃO: Como o rendimento é nominal, caso as taxas de juros subam, o investidor sofrerá uma queda de seu poder aquisitivo e vice-versa, assim como ocorre quando da alta do percentual da inflação.


IMPORTANTE: Os prazos entre a compra e o vencimento, geralmente são altos ( 1, 2, 3 anos. Dependendo do título ofertado). É importante ter ciência de que o correto é resgatar o valor somente no vencimento do título. Porém, nada impede que o investidor resgate antes do prazo aonde a conseqüência será somente a redução da rentabilidade esperada. É garantida a rentabilidade até a data do resgate, seja no vencimento ou não.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Queda de Preferência LFTs. Curto Prazo ou Longo Prazo ?

Recentemente venho acompanhando os passos da Dívida Pública em face à redução da Taxa Básica de juros. Pesquisas vêm mostrando uma queda na preferência dos investidores em relação à LFT.

Para quem não sabe: LFT é um título público atrelado á taxa SELIC, definida pelo COPOM.

Confesso que estou surpreso em relação à migração dos investidores para outros produtos de investimento voltado á dívida pública mas, ao mesmo tempo é intrigrante ouvir falar sobre essa mudança. Isso aponta uma nova estratégia por parte dos investidores mais experientes, investidores esses que devemos sempre, sempre e sempre procurar saber suas opniões e estudar seus motivos estratégicos.
Mas, voltando ao assunto, o Brasil é dono de uma das maiores taxas de juros do mundo ! Percebem porquê é intrigante ? Basicamente falando, como a taxa de juros ainda é alta, então as rentabilidades da LFT deveriam continuar sendo favoráveis, certo ? Certo e Errado !
Uma regra básica que deve ser seguida é que uma coisa é retorno sobre o produto, outra é o poder de compra que esse retorno proporciona.
Oras, a taxa cai, apesar de elevada mas, essa queda se aproxima do indice de inflação ou seja, apesar de ainda num percentual alto, o seu poder de compra líquido dessa rentabilidade simplesmente diminuiu. Sim, isso é intrigante.
Muitos investidores, creio eu, apenas olham o quanto estão ganhando sobre a aplicação, ignorando os outros agentes econômicos, que "reduzem" essa liquidez ainda que de forma indireta. Digo muitos mas apenas uma pequena parcela de investidores.
Eu mesmo já acreditei na "simples liquidez" de um produtos, a muitos anos, no auge da minha inexperiência e constante aprendizado de mercado....faz parte mas, a fica o aprendizado.
Tecnicamente, a redução dos ganhos se dá pela "soma entre a queda da taxa básica de juros e o percentual da inflação".
Os especialistas ainda apostam em mais reduções percentuais da taxa Selic.
Ok, ok mas ainda assim, as incertezas existem. Qualquer fator pode mudar tudo do dia pra noite, vejam o exemplo do 14 de Setembro de 2008 e o 15 de Setembro de 2008. Um dia, tudo era pura especulação, apesar dos sinais consideráveis mas, no dia 15, tudo veio abaixo. A taxa de juros dos EUA chegou a 0% !! Isso mesmo, 0% !!

Mas, já que temos em vista uma estabilização (estabilização?!?!) econômica, uma possível queda de redução de taxa de juros e em contrapartida um percentual de inflação mais ou menos volátil (cai, mas sobe. Sobe, mas cai), por que então nao aproveitar o vento e fazer suas aplicações nos títulos indexados à inflação ?

Porém, a grande vantagem das LFTs é que elas podem ser vendidas a qualquer momento, sem uma "punição mercadológica", sem risco de desvalorização em si.
Mas, risco por risco, aos investidores mais conservadores, é sempre preferível correr risco no Tesouro Direto do que em qualquer outro produto que apresentem grandes perdas ou, esperançosamente falando, produtos que apresentem grandes ganhos.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Análise Técnica x Análise Fundamentalista x Análise Psicológica

Boa tarde pessoal !
Creio que muitos de vocês já se fizeram a tradicional pergunta: "Porquê o preço de uma ação sobe ou desce?".
Sim, totalmente natural essa dúvida mas, a grande verdade é que não é uma coisa exata, conforme comentei em postagem anterior.
São inúmeros Xs que pode derrubar ou subir o preço de um determinado papel.
Porém....apenas porém, os analistas utilizam-se de ferramentas conhecidas como Análise Técnica ou Fundamentalista.
Como análise técnica, são utilizados mecanismos para tomar como base o histórico de preços dos papéis e definir as projeções futuras, popularmente falando ou seja, tudo o que interessa é estudar o "comportamento do preço" do papel e desta forma passam a não se preocupar com os outros motivos das altas e das baixas. Os técnicos sabem que existem verdadeiras razões (fato) para as altas e as baixas, porém pouca importância dão a esses fatores.
Já, os fundamentalistas, como o próprio nome diz utilizam-se de ferramentas que permitem analisar e projetas futuros resultados para uma empresa. Esses sim, utilizam as mais diversas informações e relatórios contábeis e financeiros. Partindo sempre do princípio da análise Microeconômica para finalizar na análise Macroeconômica.

Certo, muito bonito e interessante ! Ok !
Agora, e a Análise Psicológica dos investidores que acompanham seus papéis diariamente ? Sinto dizer mas os nervos à flor da pele em momento de queda não vão influenciar em preço NENHUM !! Se você me der a certeza de que a Análise Fundamentalista ou a Técnica funcionam de fato e ajudam o investidor a pelo menos se aproximar de um preço dentro de uma tal margem, eu tiro o chapéu.

Simples assim, uma análise, seja fundamentalista ou técnica, não visa de fato a acertar o preço mas sim, diminuir o risco de perda !!
De fato são técnicas muito interessantes, vale a pena buscar se aprofundar no assunto pois quanto mais ferramentas, melhor !

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

O verdadeiro Mercado de Capitais

Depois de anos trabalhando como analista de Mercado de Capitais de uma renomada instituição financeira, resolvi buscar novos horizontes.
Obviamente que, o Mercado de Capitais é algo muito, mas muito mais amplo do que aquilo que vemos no dia a dia. A questão é que somos segmentados por operações que nos limitam aos conhecimentos de um determinado ponto (mínimo) do mercado.

Por exemplo:
Você trabalha com "Gestão de Fundos", ou "Cálculo de Cotas de Fundos" ou qualquer outra atividade que termine com "FUNDOS".
Pois bem.
Você sabe exatamente o que são FUNDOS? Quais todas as modalidade de fundos existente e quais as regras para cada uma delas? Conhece as políticas e tributações ? Acredita que possui conhecimento necessário para discutir sobre o mercado com profissionais do alto escalão do mercado ?

Acho que essas perguntas podem ajudar muitos profissionais a abrirem os olhos para a verdadeira realidade.
O mercado é muito mais amplo e complexo do que parece e para andar sozinho é preciso conhecer, e muito o sistema.

Mas, garanto que, para os profissionais da área, o mercado é uma coisa enigmática e extramente interessante !! Porém, engana-se aquele que acredita ser uma ciência exata.

De exato, somente o valor da cota !! Pois tudo o que gera a cota é cercado de incertezessas e negócios inesperados do dia a dia.

O jovem de hoje e suas Finanças.

Recentemente venho acompanhando pesquisas sobre as economias do globo.
Crise na Grécia, crise nos EUA, crise de Crédito, Política Expansionista entre outras coisas porém, algo que me chama a atenção é como os jovens olham para isso ?

Primeiramente, a maioria dos jovens criam o seu "perfil financeiro", estagiando na casa dos pais.
O dinheiro é visto como a ferramente essencial para o consumo. Consumo este que podemos relacionar a compra do primeiro carro, do primeiro imóvel, das viagens, das roupas e quando falta dinheiro, basta pedir um crédito no banco.
Claro, isso é um perigo mas, nos ultimos tempos, houve uma grande lição.

Basta olhar para os resultados de hoje.

O estouro da bolha imobiliária, a escasse na concessão dos créditos, a Grécia em profunda crise, o restante da Europa sofrendo para establizar suas economias e lidar com seus rebaixamentos em notas de risco.

Creio que tudo isso está sendo crucial na formação dos jovens para o futuro financeiro pois os resultados desastrosos, as consequências de uma má gestão financeira, por mínima que seja, estão evidentes.

Cabe a cada um, possuir o interesse e a indispensável responsabilidade de dar continuidade ao equilíbrio econômico.

O crédito existe sim, é bom mas, cuidado, o resultado pode ser desastroso !